Sobre os presentes que o passado me deu...

Diz a ciência que cada ação tem uma reação, e apesar de eu odiar as aulas de físicas, devo admitir que vivo isso em minha vida, muito além das teorias.
Cada ação, decisão que fazemos gera uma reação, uma consequência em nossa vida e na vida do outro, no mundo do outro. Uma palavra, um gesto, deixa marcas, lembranças – boas ou péssimas - que podemos levar pro resto da vida.

Eis o ponto do meu pensamento desses dias: será que nós temos consciência das marcas que estamos deixando por aí e as que estamos levando em nossa bagagem da vida?
Algumas coisas podem até parecer insignificantes, essas do tipo superficiais e passageiras, que “não tem nada a ver”, qual o problema de dizer/fazer isso, viva o momento (adoro essa #sqn). Mas depois de um certo tempo, olhando pra trás e pra dentro de mim, percebi que sim, cada uma dessas ações, pequenas ou grandes, deixaram marcas enormes em mim.

E não são só lembranças de um passado distante, são como pedrinhas que entram no sapato e que mudam o meu jeito de caminhar, ou até mesmo direcionam ou facilitam o caminhar. E eu penso: ah! Se eu tivesse noção de que isso influenciaria toda a minha vida no futuro, talvez teria agido de outra forma.
É algo que alguns chamam de ganho secundário, que faz por exemplo, uma mulher não conseguir emagrecer, porque havia um ganho secundário em não conseguir, que era manter-se "menos atraente", porque na verdade ela tinha um trauma forte no que diz respeito à relação com homens. Já parou pra pensar que isso pode acontecer mais do que se imagina?


Quando me deparei com isso numa conversa com um amigo “filósofo”, comecei a pensar em tantas e tantas marcas que certas ações mal pensadas ou não, deixaram em mim e que estão influenciando diretamente nas minhas escolhas no HOJE.
Não é fácil olhar para si, muita gente tem medo e até mesmo preguiça, prefere a vida cômoda. Mas uma vida cômoda não é sinônimo de vida confortável. E quanto mais caminhamos e nos abrimos para descobrir cada uma dessas marcas e ganhos secundários que nos acompanham, mais vamos nos libertando de traumas, marcas e construindo um futuro mais livre, mais leve pra se viver.

Hoje eu paro para refletir não só sobre as minhas ações comigo mesma, mas com os outros. As palavras tem forças, alguns olhares marcam profundamente, e as ações podem transformar belezas em desastres.
Antes de agir, pense em qual reação isso pode causar no outro e na sua própria história. E quanto mais cuidado você tiver, mais livre será de marcas do passado. Quanto mais se libertar e tiver a capacidade de se conhecer e ser sincero com você mesmo, você atrairá mais situações e pessoas que tem o mesmo pensamento.

Talvez a vida seja esse caminho de escolhas, de ganhos e perdas, onde todo dia eu olho para a minha bagagem, fico com o que convém, jogo fora o que só me pesa e não agrega, pra ir construindo quem eu sou. 

Músico precisa fazer silêncio - Ep 1

Começamos hoje uma série de Dicas da Tici!
Anotei dicas que estou aprendendo na Faculdade de Música - faço licenciatura - e que podem ajudar você também... Essa é a primeira delas: Músico precisa fazer silêncio!


Li um livro no primeiro semestre o livro "O ouvido pensante", que foi escrito por um professor e compositor canadense, Murray Schafer. Ele narra suas aulas e seu método de ensino diferente, focando muito mais na visão de compositor do que de professor.

Em uma das aulas ele falou sobre o silêncio. Achei fantástico! Ele usa uma comparação incrível entre a música e uma conversa, deixo um pedacinho do livro aqui. Mais detalhes eu te conto no vídeo.

"Quem espera o momento certo e aí diz exatamente a coisa certa é respeitado por sua sabedoria e inteligência. Somente um tolo fala o tempo todo (...) esperar o momento certo de fazer um comentário que acrescente algo a textura, ou ficar em silêncio ouvindo o que os outros estão dizendo."



Assistam e compartilhem
Bjinhus!

Sobre os amores líquidos...



Esses dias li um artigo muito bom sobre relacionamentos modernos e o tal do Amor Líquido, que é tema de um livro do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Ele escreve que vivemos tempos em que nada é feito para durar. As relações humanas são frágeis e a sociedade está tendo dificuldades em se comunicar e manter laços afetivos. 

Bom, fiquei pensando... Meus pais são casados há 32 anos e às vezes eu olho e penso: mas como é que eles conseguem?! Eu já cantei em alguns casamentos, chorei em vários rs. Acho lindo ver alguém que realmente vai pro altar sabendo o que aquilo significa. O que amar significa.

Talvez eu ainda esteja com dificuldades...


Bauman diz algo que me fez pensar, mandar links pra vários amigos e até mesmo sentar pra escrever hoje:
1 - Há uma diferença grande entre fazer uma amizade olhando nos olhos e fazer uma amizade em uma rede social.
2 - Há uma diferença maior ainda entre romper uma relação pela internet e rompê-la cara a cara.

Realmente são tempos difíceis para relacionamentos humanos. A gente vê muita gente do nada dizendo um "eu te amo", declarações enormes, fotos com emoticons e tudo lindo e feliz. Mas dias depois, acabou tudo, excluí a foto, muda o status, deixa de seguir e tá tudo bem. Será que era amor mesmo?

Sabe, a melhor coisa que eu tenho na minha vida é a minha família, e eu sempre falo que família é uma das coisas que realmente valem a pena construir nessa vida. Não sou "alguma-coisa-ISTA", não sou contra a família, nada disso pelo amor de Deus!!!!
Eu só estou olhando pra minha própria vida, sociedade e pedindo: gente, muita calma nessa hora!!! 

Ter um relacionamento é muito mais do que tirar selfies, curtir e mandar emoticon... É uma vocação, um chamado específico, algo que precisa ser muito bem discernido e construído, como qualquer outro chamado e vocação. 

Outro dia eu estava tomando café com a minha mãe, ouvindo histórias de casais que ela e meu pai atendem em oração e ela me disse algo que fez todo sentindo: “filha, nem todo mundo deveria casar, ter filhos. Nem todo mundo nasceu pra isso.” E tá tudo bem e tem que estar tudo bem!

O que eu gostaria muito (e rezo por isso), é que a gente parasse de se cobrar por coisas que não aconteceram, porque talvez não estejamos preparados para elas, ou porque ainda chegou o tempo de acontecer. Sem pressão! Existe um tempo para cada coisa...

O amor não é fácil. E só acontece aonde existe solo fértil para florescer. E esse "solo" é muito mais do que ter dinheiro, carreira, status, sei lá o que... Precisa de cuidado, amadurecimento, e principalmente EQUILÍBRIO!

Equilíbrio é a palavra de ordem. Não dá pra acreditar em príncipe encantado, mas também não podemos viver achando que ninguém vale a pena, que nada pode ser duradouro e verdadeiro.
São João Paulo II disse algo sobre o amor que eu gosto muito e que podemos aplicar a todas as formas de amor, seja na amizade, na família, os nos relacionamentos sérios:

“O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se o não experimenta e se o não torna algo seu próprio, se nele não participa vivamente.” 
(Encíclica Redemptor hominis, 1979)

Vamos aprender a ouvir, acolher e a entender o tempo, a história, as feridas do outro e as nossas também. Vamos aproveitar as situações, os encontros e os grupos de WhatsApp para nos conhecermos DE VERDADE, e evoluirmos juntos. Vamos dar sentido a nossas vidas, nossas fotos, nossas redes...

É incrível poder ter pessoas para nos ajudar a encontrar o que pode ser melhor em nós. Não sei, talvez seja daí, desse conhecer de verdade que brotem os verdadeiros amores. Da amizade sincera, da doação sem interesse, sem segundas intenções. Se não for pra casar, pode ser um amigo-anjo que vai fazer sua vida milhões de vezes melhor.

Seria utópico? Bom, quando eu olho pros meus pais eu penso: ok, todo mundo tem a chance de ser feliz de verdade, basta saber trilhar o melhor caminho, o seu caminho. 
Bora?


Esse mundo está perdido!!! Será?

“Os jovens buscam cada vez mais no suicídio uma fuga para seus sofrimentos”. Essa foi a chamada da matéria que eu li hoje de manhã e que me deixou inconformada! Me chamou atenção e me fez pensar sobre a sociedade em que vivemos e o que estamos fazendo com ela...
Segundo dados do Mapa da Violência 2014, a taxa de suicídio de jovens com idade entre 10 e 14 anos aumentou 40% no Brasil nos últimos 10 anos. Entre os jovens com idade entre 15 e 19 anos, o crescimento foi de 33%. Deixo aqui o link da matéria completa, vale a leitura.

Eu sou católica, canto, componho, escuto muitas partilhas, sofrimentos, lutas de tanta gente que busca ter paz, ser feliz, e fico muito incomodada quando leio essas notícias pensando: Meu Deus, o que eu tenho feito pra tentar mudar, pelo menos um pouco, essa situação de solidão, de ódio na internet, de falta de amor, compaixão, de Deus?!

Tem tanta gente preocupada em aumentar o número de curtidas, o que falar e como cantar para conquistas as pessoas, vender mais, ser rico. Não, tem problema nenhum em querer ter uma vida melhor, o ponto não é esse.
Como católica praticante e cantante por aí, eu me sinto diretamente responsável quando leio notícias dessas, pensando: Será que eu tô contribuindo de alguma forma para que mais pessoas conheçam, façam uma experiência profunda e verdadeira com Deus, seu amor, sua liberdade, seu caminho de crescimento, aprendizado e de felicidade real?

Quando eu canto, quando eu componho, quando eu gravo um vídeo, qual é a intenção do meu coração? 





Eu acredito sim, por tudo o que vivo e vive e já vi durante meus anos na Igreja, que Deus pode transformar toda e qualquer situação de sofrimento, de desamor. A religião pra mim é esse caminho que me guia em todas as áreas da minha vida, me dá um norte, me ajuda a ser mais caridosa, a escolher o que realmente importa, a ser mais humana, a viver de verdade.

Mas será que eu tenho colocado isso em prática em tudo o que eu faço? No meu sorriso, no meu abraço, nas minhas respostas do dia a dia, com meu vizinho, meu amigo, o cara lá da facul?
É fácil falar que o mundo está perdido, que essa geração está louca. Mas quero lembrar-vos que eu e você fazemos parte dessa sociedade e geração! E aí? Estamos só reclamando, vendo a vida passar na timeline do facebook, ou colocando a mão na massa e fazendo algo concreto?

Não dá mais pra colocar a culpa na Igreja, no Mundo, no Demônio, no padre, no raio que partiu. A responsabilidade é nossa! NOSSA! Se tem gente se matando, se tem gente se perdendo, se tem gente infeliz e eu sei que isso tem um caminho de solução, eu não posso ficar calado! O meu mundinho pode ser lindo e quentinho e aconchegante, mas eu não estarei sendo um ser humano de verdade e católico se eu recusar ajuda, se eu pensar só em mim mesmo!

Precisamos parar de nos importar com o que é passageiro e focar no que é essencial, no que vai refletir em nossa vida a longo prazo, em nossos filhos, netos, na vida de quem amamos, e mais, na vida de alguém que não conhecemos, mas Deus conhece e ama e pode ter escolhido você para dizer isso a ela. Já pensou nisso?

Quantas pessoas você encontra quando vai pro trabalho? Quando sai pra comer pizza ou ir ao cinema? Quantas pessoas diferentes você encontra na Missa, no Grupo da sua Igreja e que talvez você não faça ideia dos problemas e sofrimentos guardados naquele coração. Já pensou que 15 minutos de conversa e uma oração podem mudar o rumo da vida dessas pessoas?

Há alguns dias atrás, antes de dormir, eu sentei na cama e bati um papo com Deus. Pedi perdão pra Ele se fui egoísta. Pedi pra Ele me mostrar se tudo o que eu tenho feito tem dado frutos, se tem mudado pelo menos um pouco o mundo que eu vivo. Que Ele me ajude a não perder o rumo, que eu não me esqueça do para que de tudo isso... O mais lindo é que recebi algumas mensagens depois disso, pedindo ajuda, oração; agradecendo meu vídeo, minha música, minha voz. Não tô me gabando, só estou te dizendo que quando fazemos o que é necessário colhemos o que é prazeroso, frutos lindos!

Não dá pra ser mais do mesmo, não dá pra se conformar com o mundo como está! Não dá pra ignorar que nós podemos, com amor e doação, fazer a diferença na vida de quem está ao nosso redor.
SIM! Existem pessoas de bom coração, humildes e dispostas a se doar para fazer o outro mais feliz, mais amado. E eu escolho ser uma delas, escolho todos os dias quando acordo. Repenso todas as noites se não deu pra ser melhor, e recomeço outra vez. 

É possível. É preciso. É urgente. E você pode fazer algo a respeito.